Oktoberfest é assunto bastante divulgado. Por isto, limito os comentários a alguns detalhes e contrastes, e a uma visão geral desta festa germânica nas Américas.
Maior festa popular do mundo, em Munique, na Alemanha, atrai acima de seis milhões de visitantes. Entre estes, muitos desavisados se embriagam antes do tempo. É que o teor alcoólico das cervejas consumidas nas tendas ou pavilhões da festa é mais elevado do que nas cervejas convencionais. Lá, apenas podem ser servidas cervejas aprovadas como sendo da Oktoberfest, sob certos critérios, como a de ser produzida nos limites territoriais de Munique.
A segunda maior Oktoberfest no mundo, também acontece na Alemanha, em Hannover, com acima de um milhão de visitantes.
Histórico sobre as origens dos festejos em 1810 consta em vários sites, e pode ser vista neste da cidade de München (em alemão). Conhecendo este histórico fica compreensível a equivalência entre “Willkommen auf der Wiesn" = "Willkommen beim Oktoberfest" , ou bem vindo no prado = Bem vindo à Oktoberfest. A festa continua sendo realizada no mesmo local, um prado em que houve corrida de cavalos, como parte dos festejos naquele ano e outros a seguir. Hoje não há mais corridas de cavalos, mas ficou esta expressão.
A Oktoberfest passou a ser adotada como modelo também mundo afora. A original engloba tradições culturais, consumo de cervejas, gastronomia germânica. Muitas destas festas fora da Alemanha realçam apenas algumas destas características. E, nem todas acontecem em outubro.
As maiores Oktoberfest fora da Alemanha, acontecem nas Américas.
Na América do Norte, sendo muito grande o número de descendentes de imigrantes de etnia germânica, há centenas destes festejos, sejam como “Oktoberfest”, “Beerfest”, “Wurstfest”, e outras. Em comum há o consumo de cerveja, músicas típicas, e basicamente “Gemuetlichkeit”.
(Veja definição no primeiro parágrafo, aqui).
.
Há as que se sobressaem em atividades tais como desfiles, grupos folclóricos, bandas de música, diversões, jogos e competições. Variedade em opções gastronômicas e cervejas completam as festas. Em qualquer país, todas geram movimentação comercial e turística. As mais genuínas destinam resultados financeiros a entidades culturais e assistenciais, o que tambem é uma diferenciação.
Algumas listagens colocam nesta ordem, em número aproximado de visitantes, as maiores Oktoberfeste fora da Alemanha:
Kitchener 700 mil – perto de Toronto, no Canada
Blumenau 600mil – em Santa Catarina, no Brasil
Cincinatti 500mil – em Ohio, nos Estados Unidos
Uma das diferenças notáveis entre as Oktoberfest em Kitchener-Waterloo e Blumenau, (alem de lá ser outono e aqui primavera...) são os espaços físicos e forma de organização. Lá há uma entidade de coordenação, e uma descentralização dos “pavilhões”. São uma dúzia e meia de locais diferentes. São clubes com variadas capacidades em seus espaços. Todos credenciados segundo critérios padronizados. Assim abre-se um leque em opções aos visitantes, com detalhes diferenciadores correspondentes aos diversos grupos de imigrantes e descendentes, mantenedores destes clubes.
Esta base nos clubes se reflete na autenticidade, uma vez que a iniciativa não partiu de cervejarias ou de outros setores. O realce está nas tradições culturais. Claro que a cerveja faz parte. Aliás, uma curiosidade é que no início tiveram uma propaganda censurada pelo poder público, porque evidenciava a cerveja.
Também em Blumenau há integração de várias entidades culturais, grupos folclóricos, que durante os festejos compartilham os desfiles de rua, e um espaço com os pavilhões
no “prado” que é a Vila Germânica. Isto é, a festa acontece de forma centralizada. Neste sentido tem maior similaridade com a da Alemanha.
Estes e outros contrastes são perceptíveis, ao se fazer “viagem virtual”, visitando sites e assistindo vídeos.
Algumas oktoberfest, para ilustrar:
Kitchener-Waterloo, Blumenau, Cincinatti (german accent, zinzinatti), Mount Angel no Estado de Oregon é uma comunidade pequena, mas que recebe ate 350 mil visitantes (propaganda de 2011).
Diversas agências turísticas e de viagens publicam relações diferenciadas, como estas:
1, 2 (18), 3 (10), 4, 5 (Por Estados,58) Mais de vinte, em Wisconsin e Estados limitrofes.
No Brasil, até onde sabemos, a primeira ocorreu de forma incipiente em Itapiranga, SC (1978). Observe após o texto as 6 fotos, síntese da evolução a partir de pequeno grupo. Fotos singelas e muito expressivas!
Já a partir de 1984 acontecem as de Blumenau (SC), e Santa Cruz do Sul (RS). Foram surgindo em várias cidades, como pode ser visto em listagem relativa ao Brasil, talvez incompleta.
Em outros países na América do Sul, nos quais há descendentes de imigrantes de etnia alemã, há destas festas de outubro. Ocorrem em quase todos os países, mas em proporções bem menores (e alguns até desvirtuados). São exemplos:
Villa General Belgrano, Cordoba, Argentina (desde anos 60)=Festa Nacional da Cerveja;
Colômbia, Bucaramanga; (Só buscar a cidade)
Venezuela, Tovar; (idem)
Equador, em Quito, promoção hoteleira;
Peru, (2002-) Lima e Cusco, e ainda 2011 primeira vez em Pozuzo-Oxapampa;
Bolívia;
Paraguai, Club Aleman, Assunção;
Uruguai, Casino em Punta Del Leste.
Já está longe o casamento do Rei Ludwig I. Mas, se levarmos em consideração o modelo original da festa, é concebida para toda a população, todas as famílias. E, para todos os membros das famílias. Inclui cerveja para quem tem idade e gosta, assim como muitas opções para confraternização e divertimento. Enfim, uma festa para bem receber conforme a índole dos anfitriões, que preservam a cultura e tradições alemãs (cuja memória é enfatizada nestas ocasiões). Este, a meu ver, bom parâmetro para eventuais comparações.
Prosit!
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sábado, 22 de outubro de 2011
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Norte e Sul, diferenças e semelhanças
Imigrantes, quantidade e oktoberfest
Houve imigração de alemães também no Mexico, e paises da América do Sul como Peru, Venezuela, Bolívia, Chile e Argentina, em quantidades menores.
Limitemo-nos aos Estados Unidos e o Brasil, para alguns comparativos.
Quanto ao número, enquanto em torno de 7 milhões com origem germanica imigraram nos Estados
Unidos, em torno de 253 mil foram ao Brasil.
No Brasil, salvo algumas colonizações esparsas em outros Estados, a densidade em descendentes de alemães é expressiva nos 3 Estados sulinos: RS, SC e PR, com em torno de 30% da população que tem algum ascendente alemão. SC alcança 35%.
Já nos Estados Unidos,
6 Estados tem em torno de 50%,
13 em torno de 30%; (ou seja, 19 Estados semelhantes aos nossos 3 Estados, RS,SC e PR)
19 acima de 15%, e
13 em torno de 7% a 15%.
Em quantidades absolutas, os Estados da Califórnia, Pensilvania e Ohio, tem mais de 4 milhões de descendentes de alemães cada. Outros 9 Estados, acima de 2 milhões.
Os alemães já estão integrados de tal forma que dificilmente se identificam comunidades germanicas, nos Estados Unidos. Exceto algumas pequenas, com até mais de 75% de descendentes de alemães. Mas várias áreas metropolitanas apresentam como grupo étnico predominante o germânico como:
Cincinatti, Cleveland, Columbus, Indianapolis, Milwaukee, Minneapolis-Saint Paul, Pittsburgh, e St. Louis.
Em muitas destas cidades, como em tantas outras menores, há manifestações culturais alemães, e festas como a Oktoberfest. A exemplo de Cincinatti.
Assim também acontece no Brasil. Seja em Blumenau, Itapiranga, Marechal Candido Rondon, Santa Cruz do Sul, Igrejinha.
Há muitas semelhanças e diferenças, como foram as motivações para as respectivas imigrações de alemães.
Apenas como exemplo, dialetos e mistura de linguagens nos Estados Unidos como aqui estão aos poucos se extinguindo. O sotaque ingles dos texanos, talvez tenha se formado pelo fato de as tres linguas usuais eram o ingles, espanhol e alemão. Um dos lugares no Texas no qual há saudosistas das típicas bandas de música é New Braunfels.
Houve imigração de alemães também no Mexico, e paises da América do Sul como Peru, Venezuela, Bolívia, Chile e Argentina, em quantidades menores.
Limitemo-nos aos Estados Unidos e o Brasil, para alguns comparativos.
Quanto ao número, enquanto em torno de 7 milhões com origem germanica imigraram nos Estados
No Brasil, salvo algumas colonizações esparsas em outros Estados, a densidade em descendentes de alemães é expressiva nos 3 Estados sulinos: RS, SC e PR, com em torno de 30% da população que tem algum ascendente alemão. SC alcança 35%.
Já nos Estados Unidos,
6 Estados tem em torno de 50%,
13 em torno de 30%; (ou seja, 19 Estados semelhantes aos nossos 3 Estados, RS,SC e PR)
19 acima de 15%, e
13 em torno de 7% a 15%.
Em quantidades absolutas, os Estados da Califórnia, Pensilvania e Ohio, tem mais de 4 milhões de descendentes de alemães cada. Outros 9 Estados, acima de 2 milhões.
Os alemães já estão integrados de tal forma que dificilmente se identificam comunidades germanicas, nos Estados Unidos. Exceto algumas pequenas, com até mais de 75% de descendentes de alemães. Mas várias áreas metropolitanas apresentam como grupo étnico predominante o germânico como:
Cincinatti, Cleveland, Columbus, Indianapolis, Milwaukee, Minneapolis-Saint Paul, Pittsburgh, e St. Louis.
Em muitas destas cidades, como em tantas outras menores, há manifestações culturais alemães, e festas como a Oktoberfest. A exemplo de Cincinatti.
Assim também acontece no Brasil. Seja em Blumenau, Itapiranga, Marechal Candido Rondon, Santa Cruz do Sul, Igrejinha.
Há muitas semelhanças e diferenças, como foram as motivações para as respectivas imigrações de alemães.
Apenas como exemplo, dialetos e mistura de linguagens nos Estados Unidos como aqui estão aos poucos se extinguindo. O sotaque ingles dos texanos, talvez tenha se formado pelo fato de as tres linguas usuais eram o ingles, espanhol e alemão. Um dos lugares no Texas no qual há saudosistas das típicas bandas de música é New Braunfels.
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