( Início do tema, clique aqui)
Argentina, continuação.
Imigrações alemães no Alto Paraná
A Província de Misiones foi a que mais recebeu imigrantes alemães, com o maior número de colonias consolidadas.
Em 1919 foram implantadas as colonizações de Puerto Rico (católicos), Montecarlo (protestantes). Foram atraídos milhares de descendentes dos imigrantes alemães do Rio Grande do Sul. A estes teuto-brasileiros juntaram-se novos contingentes de alemães, com a criação também de Eldorado, e outras mais ao sul da Província.
Entre estas várias colonizações havia particularidades diferenciadoras. Assim, os teuto-brasileiros viviam socialmente separados dos demais alemães. A estes denominavam de “Deutschländer” em contraposição a si próprios de “Deitschen”. (“alemães” e algo como “alemons”, já no Brasil, e até hoje. É uma auto-referência dos descendentes das primeiras levas de imigrantes do período anterior à existência formal da Alemanha. A unificação alemã ocorreu em 1871. Em outro blog escrevi sobre processo da assimilação de alemães gaúchos).
Separados também viviam os Alemães do Volga, na baixa Misiones, assim como Alemães Suíços. Mesmo entre os alemães propriamente ditos, havia diferenciações, como denotam os toponímicos Bayerntal e Schwabental, na região de Eldorado.
No entanto, mais do que as mencionadas diferenças entre os vários grupos de imigrantes alemães, são marcantes as características em comum entre os vários grupos, em todos os países, tais como ênfase em valores da família, da educação, da solidariedade. Alem da valorização da música, desde a clássica à popular, danças folclóricas, confraternizações, corais, eventos culturais e esportivos, costuma haver as típicas bandas e bandinhas de música que costumam tocar marchas, valsas, polkas, animando bailes e festas - com algumas variações conforme as origens dos grupos, ou adaptações a costumes locais.
Paraguai
Apenas após a Guerra do Paraguai, acentuaram-se as imigrações, a partir de 1870.
De início em San Bernardino.
Muitos são teuto-brasileiros, complementados por alemães, como em Hohenau.
Destacam-se também as colonizações Menonitas como é Fernheim, na região do Chaco.
Dos imigrantes registrados de 1870 a 1959 - 8,4% foram alemães, 2,2% austríacos e 12,2% Menonitas (também de fala alemã) conforme consta nesta fonte (em alemão) pg.2 em tabela das várias nacionalidades dos imigrantes. Na pág.20 há tabela das colônias estabelecidas, indicando as nacionalidades dos respectivos colonizadores, e na pág. 22 aquelas de falantes do alemão.
Para ilustrar, vídeo da cidade Filadélfia, ou Fernheim, uma colonização Menonita na região do Chaco.
Uruguai
No Uruguai praticamente se reproduz a situação na Argentina, porem em escala muito menor.
Las tres colonias de alemanes en el país: Ombú, Gartental y Delta
Gartental, San Javier (colônias menonitas)
VII - Ilustração sobre tendências, um complemento.
De modo geral, nas colônias que eram isoladas e preservaram tradições, a exploração do turismo passou a ser fonte alternativa ou adicional de renda. Vimos isto nos casos de Tovar na Venezuela, e região de Pezuzo no Peru. Temos exemplos também no Brasil, como a Colônia Witmarsum. Veja os vídeos: Parte I, Parte II, Parte III.
O que ocorre nesta colônia é válido também para outros grupos eventualmente ainda fechados. Porem, esta abertura e agregação do turismo são diferentes dos casos de colonizações que desde logo foram estabelecidas ou evoluídas com diversidade étnica.
A promoção turística de Blumenau, por exemplo, embora tenha seu foco nas características alemãs, não se restringe a estes aspectos. Abrange várias peculiaridades em comum com todo o chamado Vale Europeu, em Santa Catarina.
-x-
sexta-feira, 9 de setembro de 2011
Alemães na América Latina (2/4)
(Início do tema, clique aqui)
II - México, América Central, Antilhas
Embora muitas colônias tenham sido fundadas no México e América Central no século dezenove, todas sobreviveram poucos anos.
Os alemães obtiveram mais sucesso no comércio e grandes plantações. Iniciaram atividades na mineração. Exerceram liderança nos setores financeiros e comerciais no México, e foram absorvidos na sociedade, via casamentos.
Também em Guatemala e El Salvador se estabeleceram consideráveis populações alemãs.
Na Guatemala controlavam o comércio de café. Eram proprietários de 2,4% do território da Guatemala em 1897. Em 1924 eles dominavam 15% das grandes plantações, a maior parte de café. Dominavam os negócios de importação-exportação. Havia quase somente homens alemães, daí a rápida assimilação na sociedade local através de casamentos.
Imigrantes alemães obtiveram influencia também na Costa Rica. No clero católico e em posições políticas com deputados, ministros, presidente.
Nos demais países da América Central e Antilhas a presença alemã foi muito pequena.
Um pouco sobre alemães no México. Estes artigos livres servem como indicativos. Observe-se como variam as estimativas sobre o número de descendentes. Link 1, Link 2, Link 3
III - Norte da América do Sul
Nas comunidades alemãs na Colômbia e Venezuela também predominavam as atividades comerciais e industriais. Nestes casos a assimilação à sociedade local foi rápida com casamentos entre estes alemães e filhos de empresários tradicionais nativos.
Mas houve tsambém tentativas em colonizações agrícolas, de modo geral infrutíferas. Exceção é a de Tovar na Venezuela, ainda existente e reavivada com os negócios turísticos.
Colônia Tovar - vídeos: Parte 1, Parte 2, Avulso, Dança.
Colômbia, links com alguns dados, Colégio Alleman de Barranquilla (há 4 destes na Colômbia), e sobre empresários alemães na Colombia.
IV - Equador, Peru e Bolívia
As colonizações na região média dos Andes também no geral não vingaram.
Mas alemães prosperaram em atividades comerciais, como no setor do açúcar no norte do Peru.
Na Bolívia o aporte de alemães foi menor, atuando nas áreas da mineração e comércio. Como em outros países com imigrações dispersas, também aqui quase nove em cada dez dos alemães eram homens. Daí a rápida assimilação através de casamentos com nativas.
Chama atenção, no entanto, o caso da imigração para a região de Pozuzo, no Perú, de alemães tiroleses e prussianos. Ficaram isolados por mais de um século.
Estamos habituados a nos referir às dificuldades pelas quais passaram nossos antepassados quando chegaram a Colônia de São Leopoldo. Mas estes alemães austríacos enfrentaram adversidades muito maiores!
A viagem por mar já foi bem mais longa, contornando o sul do continente para chegar ao Peru. Depois, de Lima atravessaram os Andes. Tiveram que abrir caminhos na selva até a Amazônia Peruana.
Veja vídeo sobre esta imigração:
Neste video com muitas fotos e detalhes desde de onde sairam, até ao destino.
Outro histórico
Parte 1, Parte 2, Parte 3.
Vídeo produzido pela municipalidade: Parte 1, Parte 2, Parte 3.
Há este outro, como existem vários. Ainda este com fotos.
Interessante também, sobre Pozuzo, Oxapampa e a última colônia que estes imigrantes criaram Villa Rica, região produtora de café.
(Continua, clique aqui 3/4)
II - México, América Central, Antilhas
Embora muitas colônias tenham sido fundadas no México e América Central no século dezenove, todas sobreviveram poucos anos.
Os alemães obtiveram mais sucesso no comércio e grandes plantações. Iniciaram atividades na mineração. Exerceram liderança nos setores financeiros e comerciais no México, e foram absorvidos na sociedade, via casamentos.
Também em Guatemala e El Salvador se estabeleceram consideráveis populações alemãs.
Na Guatemala controlavam o comércio de café. Eram proprietários de 2,4% do território da Guatemala em 1897. Em 1924 eles dominavam 15% das grandes plantações, a maior parte de café. Dominavam os negócios de importação-exportação. Havia quase somente homens alemães, daí a rápida assimilação na sociedade local através de casamentos.
Imigrantes alemães obtiveram influencia também na Costa Rica. No clero católico e em posições políticas com deputados, ministros, presidente.
Nos demais países da América Central e Antilhas a presença alemã foi muito pequena.
Um pouco sobre alemães no México. Estes artigos livres servem como indicativos. Observe-se como variam as estimativas sobre o número de descendentes. Link 1, Link 2, Link 3
III - Norte da América do Sul
Nas comunidades alemãs na Colômbia e Venezuela também predominavam as atividades comerciais e industriais. Nestes casos a assimilação à sociedade local foi rápida com casamentos entre estes alemães e filhos de empresários tradicionais nativos.
Mas houve tsambém tentativas em colonizações agrícolas, de modo geral infrutíferas. Exceção é a de Tovar na Venezuela, ainda existente e reavivada com os negócios turísticos.
Colônia Tovar - vídeos: Parte 1, Parte 2, Avulso, Dança.
Colômbia, links com alguns dados, Colégio Alleman de Barranquilla (há 4 destes na Colômbia), e sobre empresários alemães na Colombia.
IV - Equador, Peru e Bolívia
As colonizações na região média dos Andes também no geral não vingaram.
Mas alemães prosperaram em atividades comerciais, como no setor do açúcar no norte do Peru.
Na Bolívia o aporte de alemães foi menor, atuando nas áreas da mineração e comércio. Como em outros países com imigrações dispersas, também aqui quase nove em cada dez dos alemães eram homens. Daí a rápida assimilação através de casamentos com nativas.
Chama atenção, no entanto, o caso da imigração para a região de Pozuzo, no Perú, de alemães tiroleses e prussianos. Ficaram isolados por mais de um século.
Estamos habituados a nos referir às dificuldades pelas quais passaram nossos antepassados quando chegaram a Colônia de São Leopoldo. Mas estes alemães austríacos enfrentaram adversidades muito maiores!
A viagem por mar já foi bem mais longa, contornando o sul do continente para chegar ao Peru. Depois, de Lima atravessaram os Andes. Tiveram que abrir caminhos na selva até a Amazônia Peruana.
Veja vídeo sobre esta imigração:
Neste video com muitas fotos e detalhes desde de onde sairam, até ao destino.
Outro histórico
Parte 1, Parte 2, Parte 3.
Vídeo produzido pela municipalidade: Parte 1, Parte 2, Parte 3.
Há este outro, como existem vários. Ainda este com fotos.
Interessante também, sobre Pozuzo, Oxapampa e a última colônia que estes imigrantes criaram Villa Rica, região produtora de café.
(Continua, clique aqui 3/4)
Alemães na America Latina (3/4)
( Início do tema, clique aqui)
V - Chile
Em relação aos demais países o Chile se destaca por terem se consolidado colonizações agrícolas no sul, e que preservam tradições alemãs.
Já os alemães em centros urbanos se dedicaram a atividades comerciais e industriais, com maior assimilação.
Um pouco de história destas colonizações.
E, vídeos ilustrativos:
1 - Puerto Montt – Frutiliar,
2 - Puerto Varas - Osorno
Menonitas, Alemães do Volga e Teuto-brasileiros predominaram nas colônias agrícolas no Paraguai, Uruguai e norte da Argentina. Mantiveram em grande parte suas tradições.
Já as comunidades alemãs na Província de Buenos Aires à medida que cresciam bastante, se mesclaram à população cosmopolita da cidade.
Argentina
Também na Argentina se estabeleceram alemães que atuavam no comércio internacional, bem como industrialistas. Houve ainda peculiar imigração urbana, de trabalhadores industriais. Alem destes, foram implantadas muitas colônias agrícolas, das quais algumas perduram com características e peculiaridades alemãs.
Algumas generalidades sobre imigrações alemãs na Argentina, neste site.
Tentativas antigas, na Patagônia:
História de Bariloche,
Livro sobre alemães na Patagônia Argentina, porque falharam colonizações,
Rio Pico, Friedland.
Colonizações bem sucedidas.
Entre as colonizações que se consolidaram estão as que receberem Alemães do Volga.
Aos que imigraram juntaram-se muitos dos que haviam chegado ao Brasil, pois na Argentina havia melhores condições para plantio de trigo.
Interessante este histórico sobre os Alemães do Volga, e sobre famílias destes que chegaram à Argentina. Constam sobrenomes de famílias. Há comentários elucidativos sobre tradições, inclusive o hábito incorporado do consumo de erva mate, usando a “Matte Kuie”.
Outra fonte sobre colônias alemãs na Argentina, e principais assentamentos.
Mais um descritivo da história dos Alemães do Volga, e destinos dos migrantes.
Cidade de Crespo, capital da avicultura na Argentina. Fundada por Alemães do Volga.
Alemães do Volga, em Entre Rios.
(continua, clique aqui 4/4)
V - Chile
Em relação aos demais países o Chile se destaca por terem se consolidado colonizações agrícolas no sul, e que preservam tradições alemãs.
Já os alemães em centros urbanos se dedicaram a atividades comerciais e industriais, com maior assimilação.
Um pouco de história destas colonizações.
E, vídeos ilustrativos:
1 - Puerto Montt – Frutiliar,
2 - Puerto Varas - Osorno
3 - Villa Rica
4 – Valdivia, considerada a cidade mais bonita do Chile.
Menonitas, Alemães do Volga e Teuto-brasileiros predominaram nas colônias agrícolas no Paraguai, Uruguai e norte da Argentina. Mantiveram em grande parte suas tradições.
Já as comunidades alemãs na Província de Buenos Aires à medida que cresciam bastante, se mesclaram à população cosmopolita da cidade.
Argentina
Também na Argentina se estabeleceram alemães que atuavam no comércio internacional, bem como industrialistas. Houve ainda peculiar imigração urbana, de trabalhadores industriais. Alem destes, foram implantadas muitas colônias agrícolas, das quais algumas perduram com características e peculiaridades alemãs.
Algumas generalidades sobre imigrações alemãs na Argentina, neste site.
Tentativas antigas, na Patagônia:
História de Bariloche,
Livro sobre alemães na Patagônia Argentina, porque falharam colonizações,
Rio Pico, Friedland.
Colonizações bem sucedidas.
Entre as colonizações que se consolidaram estão as que receberem Alemães do Volga.
Aos que imigraram juntaram-se muitos dos que haviam chegado ao Brasil, pois na Argentina havia melhores condições para plantio de trigo.
Interessante este histórico sobre os Alemães do Volga, e sobre famílias destes que chegaram à Argentina. Constam sobrenomes de famílias. Há comentários elucidativos sobre tradições, inclusive o hábito incorporado do consumo de erva mate, usando a “Matte Kuie”.
Outra fonte sobre colônias alemãs na Argentina, e principais assentamentos.
Mais um descritivo da história dos Alemães do Volga, e destinos dos migrantes.
Cidade de Crespo, capital da avicultura na Argentina. Fundada por Alemães do Volga.
Alemães do Volga, em Entre Rios.
(continua, clique aqui 4/4)
Alemães na América Latina (1/4)
.
Conhecia alguns aspectos sobre o tema.
Fiz buscas complementares para chegar a uma visão geral.
Apresento apenas um sumário que pode facilitar, indicando alguns tópicos num contexto mais amplo, a quem se interessar na pesquisa de algum detalhe.
I - Alemães na América Latina.
Embora em torno de 90% dos alemães que emigraram tenham se dirigido à América do Norte, os demais foram qualitativamente significativos como imigrantes em países da América Latina.
1 - Há muitos séculos vieram alemães para a América de forma avulsa, atuando como comerciantes, artesãos, religiosos.
No caso dos países latino-americanos, muitos dos imigrantes alemães vinham de forma esparsa, para atuarem em empreendimentos comerciais e industriais.
Tanto nos países tropicais da América Central quanto nos do norte da América do Sul, tentativas de colonização não prosperaram. Os imigrantes acabavam se juntando aos demais nas cidades, sendo absorvidos neste meio cultural. Exceção de uma e outra de localização muito remota.
2 - Condições muito diversificadas e complexas entre os países, não permitem generalizações. Da mesma forma foram diversificadas as origens e complexidades das imigrações de alemães.
No entanto há duas características em comum: Comércio, que assumiu maior importância a partir das economias mundiais de importação-exportação, e colônias agrícolas.
Os comerciantes atuavam na obtenção de suprimentos para nações industrializadas. Seja na mineração e com amplo sucesso em plantações e comércio de café, como em outras plantações em larga escala. Também aproveitaram as demandas crescentes de importações.
3 - As imigrações foram incentivadas a partir da independência dos vários países latino-americanos. Em diversas situações a motivação, à parte das econômicas, era assegurar a soberania sobre territórios, ocupando-os, e proteger fronteiras especialmente em regiões eventualmente disputadas.
Iniciou-se desta forma a colonização alemã no sul do Brasil em 1824. Também Chile e Argentina, temiam perder a Patagônia e por isto incentivaram as colonizações no extremo sul. Da mesma forma havia por parte da Argentina preocupações em relação à região de Misiones. No caso do Paraguai, a região do Chaco era alvo da Bolívia.
4 – Alguns aspectos que diversificam os países afetaram a integração dos imigrantes de forma variável.
Na América Latina, características européias são mais preservadas na Argentina e Uruguai, países com forte predominância de brancos, como os próprios alemães. No caso do Brasil, se considerado apenas o Sul.
Uma diferença entre a América do Norte e America Latina é que enquanto nos Estados Unidos é muito maior número de descendentes, o número de falantes do alemão é pequeno. A proporção de falantes do alemão em relação ao número de descendentes é maior no Brasil e Argentina, especialmente em colônias mais isoladas. Isto é, naquelas onde os meios de acesso e de comunicação demoraram mais a chegar.
O processo de assimilação em países anglo-saxões foi bem mais rápido. O idioma e cultura latino-americana, mestiça, é algo mais discrepante para os imigrantes alemães. Inicialmente a formação de casais nas colônias agrícolas se deu preferencialmente entre os vários grupos de procedência dos imigrantes, ao contrário das metrópoles onde as assimilações foram mais aceleradas e casamentos com nativos mais comuns.
5 – Descendentes de alemães.
Para termos idéia da proporção de imigrantes alemães vindos à América Latina, em relação às demais regiões da América, temos estes dados. Variam muito as estimativas.
Alguns dados constam em estatísticas, como nos Estados Unidos.
Sobre USA vs. Brasil veja as postagens, link 1, link2.
USA ~50 milhões
Brasil ~ 5 milhões
Canadá 3,2 milhões
Argentina ~3 milhões
Chile ~600 mil - 150 a 200 mil
México ~86 mil ~200 mil
Uruguai 46 mil
Bolívia ~40 mil
Equador 33 mil
Rep. Dominicana 25 mil
(Continua , clique aqui 2/4)
Conhecia alguns aspectos sobre o tema.
Fiz buscas complementares para chegar a uma visão geral.
Apresento apenas um sumário que pode facilitar, indicando alguns tópicos num contexto mais amplo, a quem se interessar na pesquisa de algum detalhe.
I - Alemães na América Latina.
Embora em torno de 90% dos alemães que emigraram tenham se dirigido à América do Norte, os demais foram qualitativamente significativos como imigrantes em países da América Latina.
1 - Há muitos séculos vieram alemães para a América de forma avulsa, atuando como comerciantes, artesãos, religiosos.
No caso dos países latino-americanos, muitos dos imigrantes alemães vinham de forma esparsa, para atuarem em empreendimentos comerciais e industriais.
Tanto nos países tropicais da América Central quanto nos do norte da América do Sul, tentativas de colonização não prosperaram. Os imigrantes acabavam se juntando aos demais nas cidades, sendo absorvidos neste meio cultural. Exceção de uma e outra de localização muito remota.
2 - Condições muito diversificadas e complexas entre os países, não permitem generalizações. Da mesma forma foram diversificadas as origens e complexidades das imigrações de alemães.
No entanto há duas características em comum: Comércio, que assumiu maior importância a partir das economias mundiais de importação-exportação, e colônias agrícolas.
Os comerciantes atuavam na obtenção de suprimentos para nações industrializadas. Seja na mineração e com amplo sucesso em plantações e comércio de café, como em outras plantações em larga escala. Também aproveitaram as demandas crescentes de importações.
3 - As imigrações foram incentivadas a partir da independência dos vários países latino-americanos. Em diversas situações a motivação, à parte das econômicas, era assegurar a soberania sobre territórios, ocupando-os, e proteger fronteiras especialmente em regiões eventualmente disputadas.
Iniciou-se desta forma a colonização alemã no sul do Brasil em 1824. Também Chile e Argentina, temiam perder a Patagônia e por isto incentivaram as colonizações no extremo sul. Da mesma forma havia por parte da Argentina preocupações em relação à região de Misiones. No caso do Paraguai, a região do Chaco era alvo da Bolívia.
4 – Alguns aspectos que diversificam os países afetaram a integração dos imigrantes de forma variável.
Na América Latina, características européias são mais preservadas na Argentina e Uruguai, países com forte predominância de brancos, como os próprios alemães. No caso do Brasil, se considerado apenas o Sul.
Uma diferença entre a América do Norte e America Latina é que enquanto nos Estados Unidos é muito maior número de descendentes, o número de falantes do alemão é pequeno. A proporção de falantes do alemão em relação ao número de descendentes é maior no Brasil e Argentina, especialmente em colônias mais isoladas. Isto é, naquelas onde os meios de acesso e de comunicação demoraram mais a chegar.
O processo de assimilação em países anglo-saxões foi bem mais rápido. O idioma e cultura latino-americana, mestiça, é algo mais discrepante para os imigrantes alemães. Inicialmente a formação de casais nas colônias agrícolas se deu preferencialmente entre os vários grupos de procedência dos imigrantes, ao contrário das metrópoles onde as assimilações foram mais aceleradas e casamentos com nativos mais comuns.
5 – Descendentes de alemães.
Para termos idéia da proporção de imigrantes alemães vindos à América Latina, em relação às demais regiões da América, temos estes dados. Variam muito as estimativas.
Alguns dados constam em estatísticas, como nos Estados Unidos.
Sobre USA vs. Brasil veja as postagens, link 1, link2.
USA ~50 milhões
Brasil ~ 5 milhões
Canadá 3,2 milhões
Argentina ~3 milhões
Chile ~600 mil - 150 a 200 mil
México ~86 mil ~200 mil
Uruguai 46 mil
Bolívia ~40 mil
Equador 33 mil
Rep. Dominicana 25 mil
(Continua , clique aqui 2/4)
terça-feira, 7 de junho de 2011
Alemão, quase tornou-se lingua oficial americana?
(Veja foto completa com texto)
Já surgiram muitas interpretações sobre um voto de congressista americano que teria impedido de o idioma alemão ser oficial nos Estados Unidos. Teria sido a traição de um descendente de alemães.
Por apenas um voto ser o idioma oficial, é um mito. Traição, uma conjetura.
Mas houve realmente proposições e votações de interesse dos alemães e descendentes, relativas ao idioma.
Em 1794 um grupo de fala alemã, fez petição ao Congresso para serem publicadas as leis federais em alemão assim como em inglês. Uma comissão da Casa recomendou a publicação de traduções das leis para o alemão. Mas em 13 de janeiro de 1795, uma votação para deferir a recomendação foi desfavorável, de 42 a 41. Da mesma forma foram infrutíferas tentativas posteriores.
Observe-se que mesmo que aprovado, não faria do alemão uma língua oficial dos Estados Unidos. Nem o inglês o é. Não há língua oficial nos Estados Unidos, pela constituição ou por lei. No entanto, o inglês veio a ser a que é de fato.
De qualquer forma, fica evidenciado que mesmo antes da chegada das levas mais expressivas de imigrantes alemães em1840 a 1870, o alemão era o idioma de muitos residentes. Isto o atestam também os aproximadamente 5.000 jornais publicados em alemão até em torno de 1900. O primeiro deles não foi outro senão Benjamin Franklin que publicou o Philadelphische Zeitung em 1732. (Já visitei a tipografia ou gráfica).
Apesar de tudo isto, e ainda hoje o maior grupo étnico nos Estados Unidos ser o de descendentes germânicos, o uso do alemão declinou a níveis mínimos. As duas guerras mundiais, as conveniências profissionais e comerciais, e as facilidades de aprendizado duma língua similar, influíram para que a quase totalidade dos descendentes optasse pelo inglês somente.
Evidente que há os que estudam alemão, o padrão. E ainda há quem fale algum dos muitos dialetos, de acordo com as origens dos antepassados na Europa.
Aos que conhecem algum dos dialetos, é muito interessante ouvir frases ou pequenos textos gravados por estudiosos do assunto.
Há o cinturão germânico no norte do país (German belt: Wisconsin, Minnesota, North Dakota, South Dakota, Nebraska, and Iowa), mais a Pensilvânia e ainda o Texas, com muitas e diversificadas colonizações alemães.
Por apenas um voto ser o idioma oficial, é um mito. Traição, uma conjetura.
Mas houve realmente proposições e votações de interesse dos alemães e descendentes, relativas ao idioma.
Em 1794 um grupo de fala alemã, fez petição ao Congresso para serem publicadas as leis federais em alemão assim como em inglês. Uma comissão da Casa recomendou a publicação de traduções das leis para o alemão. Mas em 13 de janeiro de 1795, uma votação para deferir a recomendação foi desfavorável, de 42 a 41. Da mesma forma foram infrutíferas tentativas posteriores.
Observe-se que mesmo que aprovado, não faria do alemão uma língua oficial dos Estados Unidos. Nem o inglês o é. Não há língua oficial nos Estados Unidos, pela constituição ou por lei. No entanto, o inglês veio a ser a que é de fato.
De qualquer forma, fica evidenciado que mesmo antes da chegada das levas mais expressivas de imigrantes alemães em1840 a 1870, o alemão era o idioma de muitos residentes. Isto o atestam também os aproximadamente 5.000 jornais publicados em alemão até em torno de 1900. O primeiro deles não foi outro senão Benjamin Franklin que publicou o Philadelphische Zeitung em 1732. (Já visitei a tipografia ou gráfica).
Apesar de tudo isto, e ainda hoje o maior grupo étnico nos Estados Unidos ser o de descendentes germânicos, o uso do alemão declinou a níveis mínimos. As duas guerras mundiais, as conveniências profissionais e comerciais, e as facilidades de aprendizado duma língua similar, influíram para que a quase totalidade dos descendentes optasse pelo inglês somente.
Evidente que há os que estudam alemão, o padrão. E ainda há quem fale algum dos muitos dialetos, de acordo com as origens dos antepassados na Europa.
Aos que conhecem algum dos dialetos, é muito interessante ouvir frases ou pequenos textos gravados por estudiosos do assunto.
Há o cinturão germânico no norte do país (German belt: Wisconsin, Minnesota, North Dakota, South Dakota, Nebraska, and Iowa), mais a Pensilvânia e ainda o Texas, com muitas e diversificadas colonizações alemães.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Escolas etnicas
Já fiz referência ao assunto em postagem anterior.
Salientei a diferença que houve entre o processo de nacionalização nos Estados Unidos e no Brasil. Lá houve uma aceleração mediante estímulos ao aprendizado do inglês. Houve respeito aos idiomas e culturas dos imigrantes, os quais eram percebidos como valores a serem agregados, ao passo que no Brasil, deveriam ser suprimidos.
Em simples buscas na internet encontramos interessantes materiais sobre os esforços dos imigrantes em proporcionar escolas aos filhos. Havia escolas étnicas urbanas, de ordens religiosas e ainda as rurais.
Existem muitos colégios em cidades do Brasil e de outros países da América Latina e do Norte fundados por imigrantes alemães.
(clique em cima para ampliar)
Consta que no Brasil foi nas escolas rurais que os efeitos da política de nacionalização foram mais drásticos. Isto porque nestas havia maiores dificuldades em relação ao ensino somente em português, uma vez que os alunos só conheciam o alemão aprendido em casa.
Até ali, os professores utilizavam o alemão para facilitar o ensino, inclusive da língua portuguesa. Recurso este que passou a ser proibido.
Muitos destes professores, no caso de católicos, se formaram na Escola Normal Católica de Hamburgo Velho (Novo Hamburgo). Entre estes, meu pai Arno Heberle, que ali estudou de 1934 a 1937.
Esta Escola de formação de professores foi fechada pelo Governo em1939, após um “incidente” ocorrido em 25 de julho de 1939, ou seja, um discurso de um aluno, cujo teor foi considerado inadequado por autoridade visitante.
Num histórico sobre professor Kurt Walzer, consta "No dia 25 de julho de 1939, o professor Reinoldo Krauspenhar redigiu um discurso alusivo à comemoração do Dia do Imigrante Alemão, dando ao seu jovem aluno Affonso Grasel a tarefa de pronunciá-lo. Algumas expressões desta oratória não sintonizaram com a expectativa do Sr.Secretário de Educação do Estado, Dr.Coelho de Souza, uma vez que o discurso fazia habilmente uma crítica severa à campanha de nacionalização difundida pelo então governo brasileiro de Getúlio Vargas."
Veja fotos da escola, e dos visitantes daquele dia do discurso, mais ao final desta galeria de fotos de um professor.
As fotos de meu pai são em torno de quatro anos antes.
(Clique em cima para ampliar)

Mencionei este exemplo, que me é mais próximo e marcante.
Veja complemento, imagem de Atestado de Conclusão, e comentário.
Salientei a diferença que houve entre o processo de nacionalização nos Estados Unidos e no Brasil. Lá houve uma aceleração mediante estímulos ao aprendizado do inglês. Houve respeito aos idiomas e culturas dos imigrantes, os quais eram percebidos como valores a serem agregados, ao passo que no Brasil, deveriam ser suprimidos.
Em simples buscas na internet encontramos interessantes materiais sobre os esforços dos imigrantes em proporcionar escolas aos filhos. Havia escolas étnicas urbanas, de ordens religiosas e ainda as rurais.
Existem muitos colégios em cidades do Brasil e de outros países da América Latina e do Norte fundados por imigrantes alemães.
(clique em cima para ampliar)Consta que no Brasil foi nas escolas rurais que os efeitos da política de nacionalização foram mais drásticos. Isto porque nestas havia maiores dificuldades em relação ao ensino somente em português, uma vez que os alunos só conheciam o alemão aprendido em casa.
Até ali, os professores utilizavam o alemão para facilitar o ensino, inclusive da língua portuguesa. Recurso este que passou a ser proibido.
Muitos destes professores, no caso de católicos, se formaram na Escola Normal Católica de Hamburgo Velho (Novo Hamburgo). Entre estes, meu pai Arno Heberle, que ali estudou de 1934 a 1937.
Esta Escola de formação de professores foi fechada pelo Governo em1939, após um “incidente” ocorrido em 25 de julho de 1939, ou seja, um discurso de um aluno, cujo teor foi considerado inadequado por autoridade visitante.
Num histórico sobre professor Kurt Walzer, consta "No dia 25 de julho de 1939, o professor Reinoldo Krauspenhar redigiu um discurso alusivo à comemoração do Dia do Imigrante Alemão, dando ao seu jovem aluno Affonso Grasel a tarefa de pronunciá-lo. Algumas expressões desta oratória não sintonizaram com a expectativa do Sr.Secretário de Educação do Estado, Dr.Coelho de Souza, uma vez que o discurso fazia habilmente uma crítica severa à campanha de nacionalização difundida pelo então governo brasileiro de Getúlio Vargas."
Veja fotos da escola, e dos visitantes daquele dia do discurso, mais ao final desta galeria de fotos de um professor.
As fotos de meu pai são em torno de quatro anos antes.

Mencionei este exemplo, que me é mais próximo e marcante.
Veja complemento, imagem de Atestado de Conclusão, e comentário.
sábado, 1 de janeiro de 2011
German-american
Curiosamente, o maior grupo étnico nos Estados Unidos é o formado por aqueles que tem algum ancestral alemão.
Já comentei sobre a distribuição destes por estados, em postagem anterior.

Estes dados pode encontrar aqui.
Outra apresentação:
Já comentei sobre a distribuição destes por estados, em postagem anterior.
Entre os descendentes de imigrantes nos Estados Unidos, que vieram das mais diversas partes do mundo, a maioria que compõem o segmento europeu, são descendentes de imigrantes vindos da Alemanha (19,2%), Irlanda (10,8%), Inglaterra (7,7%), Itália (5,6%), Escandinávia (3,7%) e Polônia (3,2%).
Em relação à população total dos Estados Unidos , de acordo com autodeclarações em 2000, as participações dos vários grupos étnicos era esta:
(Clique para ampliar)
Estes dados pode encontrar aqui.
Outra apresentação:
Assinar:
Postagens (Atom)
